Objetivos: Analisar a mediação de fatores psicossociais na associação entre controle glicêmico e qualidade de vida relacionada à saúde (QVRS) em diabéticos da zona leste de Manaus, Amazonas, Brasil.
Métodos: Foi realizado um estudo transversal com 288 diabéticos de 18 ou mais anos de idade, de ambos os sexos, usuários de Unidades de Saúde da Família da Atenção Primária à Saúde (APS). A coleta de dados envolveu entrevistas individuais utilizando instrumentos validados como WHOQoL-bref para a QVRS, o SOC13 para o senso de coerência (SOC) e o Medical Outcomes Study – Social Support Survey para o apoio social. Dados de hemoglobina glicada foram coletados no Sistema de Informação em Saúde e-SUS APS. Realizou-se análise descritiva, seguida de modelagem de equações estruturais.
Resultados: A média de idade foi 59,0 ± 11,3 anos, sendo 110 indivíduos (38,2%) do sexo masculino e 178 (61,8%) do sexo feminino. Quanto ao controle glicêmico, 89 (31,0%) apresentaram hemoglobina glicada adequada (menor que 7,0%), enquanto 199 (69,0%) apresentaram valores inadequados (maior ou igual a 7,0%). As médias e desvio padrão de SOC, apoio social e QVRS foram 59,2 ± 16,8; 71,9 ± 26,5 e 52,6 ± 16,4, respectivamente. O controle glicêmico associou-se à QVRS por via direta (β=0,185; p < 0,05) e indireta mediada pelo SOC (β=-0,200; p < 0,01) e apoio social (β=-0,096; p < 0,05). Conclusão: O SOC e o apoio social se mostraram elementos-chave na associação entre controle glicêmico e QVRS e são fatores que poderiam ser considerados nas práticas clínicas.
