Objetivos: Analisar a dinâmica espaço-temporal da incidência de chikungunya nos municípios da região Nordeste do Brasil, de 2015 a 2023.
Métodos: Estudo ecológico de série temporal com casos prováveis de chikungunya notificados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN). A tendência temporal mensal foi analisada pela regressão por pontos de inflexão (joinpoint), cálculo do Percentual de Variação Mensal (PVM) e intervalos de Confiança de 95% (IC95%). Identificaram-se aglomerados espaço-temporais de alto risco pela varredura Scan de Poisson (risco relativo - RR, valor p < 0,05).
Resultados: Foram notificados 769.986 casos (2015-2023), concentrados nos estados do Ceará (27,9%), Bahia (25,3%) e Pernambuco (14,5%). Epidemias explosivas ocorreram em 2016, 2017 e 2022, intercaladas por períodos de baixa transmissão. A análise temporal revelou PVMs iniciais elevados, como no Maranhão (127,4%; IC95%: 112,5–172,6). Em 2022, epidemias explosivas voltaram a ocorrer, com destaque para Alagoas (PVM = 342,4%; IC95%: 187,2–557,3) e Piauí (PVM = 242,9%; IC95%: 162,6–441,8). Foram identificados aglomerados espaço-temporais significativos, 70% deles com início em 2016. Observou-se dissociação entre extensão geográfica e intensidade do risco: o maior RR (45,5; IC95%: 43,7–47,3) ocorreu em um cluster na Bahia, em 2020, e o de maior abrangência envolveu 431 municípios de quatro estados, em 2016.
Conclusão: A dinâmica da chikungunya no Nordeste caracterizou-se por heterogeneidade espaço-temporal, com deslocamento de epicentros e persistência de bolsões de alto risco, reforçando a necessidade de vigilância e controle integrados e regionalizados, visando responder à transmissão sustentada em bolsões de alto risco e aos clusters interestaduais.
